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Onde estão os doutores brasileiros?

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), um órgão de pesquisas e aconselhamento do Governo Federal, apresentou o primeiro estudo que faz um mapeamento detalhado de onde estão os doutores formados no Brasil.

O estudo cruza dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com os registros da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que as empresas obrigatoriamente preenchem uma vez por ano.

"A área de formação de Recursos Humanos é o esteio da base técnico-científica brasileira e está carente de reflexões mais amplas, que cruzem os entendimentos institucionais, as várias agências e saiam de um debate meramente operacional para a construção de uma visão estratégica mais encorpada", avalia Antonio Carlos Galvão, diretor do CGEE e supervisor do projeto.

Formação de doutores no Brasil

Em 2004, o Brasil formou um total de 8094 doutores em todas as áreas, ocupando o 10º lugar no mundo, atrás de países como os EUA, Rússia, Alemanha, China, Reino Unido e Índia. O Brasil cai para a 27ª posição quando se analisa o número de doutores formados por cada 100 mil habitantes. A previsão do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) é de que o país forme 16 mil doutores no ano de 2010.

Já em 2006 o número de doutores titulados no Brasil corresponde a mais de 1/5 dos titulados nos EUA - líder mundial na formação de doutores. A taxa é muito elevada, pois a economia brasileira representa 1/8 da estadunidense.

"O crescimento da pós-graduação brasileira é absolutamente espetacular em termos internacionais. Tem qualidade, quantidade e diversidade que poucos países em desenvolvimento têm", afirma Eduardo Viotti, um dos autores do estudo. "No entanto", continua, "precisamos pensar em formas diferentes de interferir na dinâmica da pós-graduação, que não seja aquela dada apenas pelos interesses acadêmicos, pois os mestres e doutores já não encontram emprego exclusivamente nas universidades."

Áreas de formação e geográficas

O trabalho destaca as Ciências Agrárias: em 2003, titularam-se 1.026 doutores na área - número só ultrapassado pelo Japão, EUA e Índia. As outras áreas que mais titulam doutores são Ciências da Saúde, Ciências Humanas e Ciências Biológicas.

São Paulo é o estado que mais forma doutores - 15.711, entre 1996 e 2003; mas só 9.122 permaneceram no estado. Muito abaixo vêm os estados do Rio de Janeiro, também um "exportador líquido" de doutores, e Minas Gerais. Alguns estados não apresentavam nenhum doutor formado no período, como Acre, Tocantins, Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul.

Universidades, governo e desempregados

O estudo constata que, entre os doutores que têm empregos formais, quase metade (44%) se concentra na área de educação - universidades e escolas. Fatia quase igual (43%) ocupa cargos na administração pública, defesa e seguridade social.

Um dado a ser analisado é que 37% dos doutores não estão registrados como empregados formais. "Nessa percentagem, estão doutores que acabaram de se formar e ainda não tiveram tempo de fazer concurso para professor ou que ainda não encontraram emprego porque estavam desempregados antes.", explica Viotti.

O estudo mostra também que o fato de os pós-graduados não encontrarem empregos apropriados prejudica a contribuição que poderiam dar ao avanço do conhecimento. Uma das dificuldades para a empregabilidade de mestres e doutores resulta de sua formação não se enquadrar aos requisitos do mercado. "O momento é muito especial. Há uma mudança na composição da nossa população, uma série de transições em curso. A base técnico-científica tem que ser pensada no contexto dessas referências sociais", completa Galvão.

Desdobramentos

"Podemos desenvolver outros tipos de estudo - por exemplo, sobre a questão da ocupação, ou concentrar a análise em áreas específicas do conhecimento, ou fazer outros cruzamentos com a base Lattes", afirmou Viotti ao finalizar sua apresentação.

Segundo Galvão, há boas perspectivas para o projeto. "Com a conclusão do estudo, teremos uma análise inicial da situação da base técnico-científica brasileira e podemos, assim, no futuro, aprofundar a discussão sobre a relação desse contingente com o restante da população e o desenvolvimento do país". Uma proposta metodológica nesse sentido foi preparada pelo CGEE com o apoio do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG (Cedeplar).

Bibliografia:

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