Robótica

Gafanhoto nuclear poderá substituir robôs em Marte

Cientistas propõem robô nuclear para explorar Marte
Depois de devidamente aquecido, o dióxido de carbono é ejetado por um bocal, arremessando o robô para o alto, rumo ao seu próximo alvo. [Imagem: Ambrosi et al.]

Esqueça as rodas, as pernas ou qualquer outro meio de locomoção já imaginado para os robôs espaciais.

Um robô realmente eficiente para explorar a superfície de Marte deverá saltar como um pula-pula e ser alimentado por energia nuclear.

Esta é a proposta de três engenheiros da Universidade de Leicester, no Reino Unido, que batizaram seu conceito de Hopper (gafanhoto).

Robô nuclear

Robôs como o Spirit e o Opportunity, e como será o Curiosidade, representaram um avanço tremendo em relação às sondas espaciais que pousavam em um único ponto de um planeta.

Contudo, mesmo sendo móveis, é fácil perceber que um robô capaz de andar algumas dezenas de quilômetros está muito longe de fornecer informações amplas o suficiente para se afirmar que adquirimos um bom nível de conhecimento sobre um planeta inteiro.

Esta área de cobertura pode aumentar muito com um robô capaz de dar saltos de um quilômetro de distância. Ao longo de seus vários anos de vida útil, ele poderá visitar centenas de áreas geologicamente distintas, coletando dados que exigiriam várias missões com robôs com rodas ou pernas.

Como pular e cair não combina bem com os sensíveis painéis solares, o robô saltitante deverá ser alimentado por um pequeno reator nuclear, o que também ajudará a aumentar o seu tempo de vida e não impedirá que ele continue trabalhando ativamente no inverno.

Propelente marciano

Um elemento interessante do conceito é que o robô pulante tirará seu combustível da própria atmosfera do planeta.

"O Hopper é diferente dos outros robôs espaciais por causa de sua fonte de energia. A fonte de radioisótopos gera eletricidade para alimentar um compressor para capturar o propelente dióxido de carbono da atmosfera marciana," explica Nigel Bannister, um dos idealizadores do projeto.

Depois de "encher o tanque" de gás, o reator passa a gerar energia termal para aquecer o propelente.

Depois de devidamente aquecido, o dióxido de carbono é ejetado por um bocal, arremessando o robô para o alto, rumo ao seu próximo alvo.

Esse processo de captura e aquecimento do gás leva vários dias, tempo durante o qual o robô fará seus experimentos científicos naquele local.

Os cientistas calculam que o Hopper pesará por volta de 400 quilos, menos da metade do robô Curiosidade, que está sendo montado para ir a Marte no final de 2011.

"Nós nos concentramos no projeto do motor e em características que impactam o desempenho do veículo. Nosso trabalho resultou em uma amplitude de salto de 1 km para um veículo relativamente grande com um grande conjunto de instrumentos científicos a bordo," explica Hugo Williams, membro do trio.

Robôs espaciais

Nunca faltou criatividade aos projetistas de robôs voltados para explorar Marte e outros planetas e luas.

De formigas robóticas a robôs voadores parecidos com insetos e equipes inteiras de robôs espaciais, há outras alternativas também de robôs esféricos e saltitantes:

Bibliografia:

A Mars hopping vehicle propelled by a radioisotope thermal rocket: thermofluid design and materials selection.
Richard Ambrosi, Hugo Williams, Nigel Bannister
Proceedings of the Royal Society A: Mathematical, Physical and Engineering Sciences
November 17, 2010
Vol.: Published online before print
DOI: 10.1098/rspa.2010.0438




Outras notícias sobre:

    Mais Temas