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Rover chinês traz novidades sobre lado oculto da Lua

Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/05/2019

Rover chinês traz novidades sobre lado oculto da Lua
O robô Yutu-2 continuará explorando a Lua e fazendo novas medições. [Imagem: NAOC-CNSA]

Mistérios da origem da Lua

O robô espacial Yutu-2, a primeira missão terrestre a visitar o lado oculto da Lua, trouxe novos dados para tentar elucidar a origem do nosso satélite.

A sonda Chang'e-4 pousou na cratera lunar Vón Kármán no dia 3 de janeiro, levando o rover Yutu-2 para explorar a Bacia do Polo-Sul-Aitken, a maior e mais velha cratera do lado oculto da Lua.

As medições levantam a hipótese de que o manto lunar pode conter olivina e piroxeno em quantidades similares, ao invés do domínio de um desses minerais. A olivina é um dos principais componentes do manto terrestre, o que poderia confirmar a teoria de que a Lua se formou com algum material que a Terra perdeu após o choque com um corpo celeste hipotético conhecido como Theia.

Olivina e piroxeno

De acordo com a hipótese mais aceita, quando a Terra sofreu o impacto da colisão com Theia, o material que se desprendeu do planeta voltou a se aglomerar, formando a Lua. Se foi assim, os elementos mais leves devem ter ficado na superfície, mas os minerais mais densos, como é o caso da olivina, teriam mergulhado no manto lunar.

Por isso, os pesquisadores esperavam encontrar uma grande quantidade de material do manto escavado no piso plano da bacia Polo-Sul-Aitken, uma vez que corpos celestes que criaram diversas crateras de impacto no local teriam penetrado pela crosta lunar e arrancado material do manto.

Em vez disso, o robô Yutu-2 encontrou apenas vestígios de olivina, que é o principal componente do manto superior da Terra e que deveria estar na Lua em grande quantidade, caso ela tenha realmente se originado de pedaços do nosso planeta.

"A ausência de olivina abundante no interior do Polo-Sul-Aitken continua sendo um enigma. As previsões de um manto lunar rico em olivina poderiam estar incorretas?" questionou Chunlai Li, da Academia Chinesa de Ciências.

Ainda não há dados para uma posição taxativa. Ao que parece, mesmo sendo pouca, mais olivina apareceu nas amostras de impactos mais profundos. Uma teoria, de acordo com Li, é que o manto da Lua poderia então consistir em partes iguais de olivina e piroxeno, em vez de ser dominado por um desses minerais.

Bibliografia:

Chang’E-4 initial spectroscopic identification of lunar far-side mantle-derived materials
Chunlai Li, Dawei Liu, Bin Liu, Xin Ren, Jianjun Liu, Zhiping He, Wei Zuo, Xingguo Zeng, Rui Xu, Xu Tan, Xiaoxia Zhang, Wangli Chen, Rong Shu, Weibin Wen, Yan Su, Hongbo Zhang & Ziyuan Ouyang
Nature
Vol.: 569, pages 378-382
DOI: 10.1038/s41586-019-1189-0




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