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Sonda russa que iria a Marte cai no Pacífico

Sonda russa que iria a Marte cai no Pacífico
Esta não é uma foto da queda da sonda, mas uma imagem feita por radar quando a Fobos-Grunt ainda estava em órbita da Terra - a imagem de radar tem baixa resolução e é colorida artificialmente para melhor visualização. [Imagem: Fraunhofer IFR]

Lixo tóxico

Destroços da sonda Fobos-Grunt, que fracassou em sua missão de buscar amostras de uma lua marciana, caíram na tarde deste domingo no Oceano Pacífico, próximo à costa do Chile.

A nave é uma das mais pesadas que já caíram na Terra.

Ajudou a causar maiores preocupações o fato de que seus tanques estavam cheios de combustível - um composto químico tóxico -, ao contrário dos lixos espaciais comuns, cujo combustível já se esgotou.

A agência espacial russa afirma que a maior parte da sonda se incinerou na entrada da atmosfera, embora ainda não seja descartada a possibilidade de que alguma peça tenha sobrevivido à queima e voado mais tempo, atingindo locais mais distantes.

Cai não cai

Segundo agências de notícias russas, os destroços caíram a cerca de 1.250 quilômetros da ilha Wellington, na costa sul do Chile.

Um dos relatórios divulgados pela agência espacial russa durante o domingo gerou temores na Argentina, ao prever a possível queda de destroços na cidade de Rosário.

O último boletim técnico da Roscosmos, contudo, falava em queda de detritos "entre a costa da América do Sul e a África.

Viktor Khartov, presidente da empresa que fabricou a Fobos-Grunt, estimou que a cápsula de reentrada - uma pequena sonda que deveria trazer as amostras de Fobos de volta à Terra -, assim como pedaços do sistema de propulsão - que é resistente ao calor - poderiam voar sobre o Atlântico Central e atingir a Europa.

O sistema de rastreamento da reentrada não tem capacidade para monitorar as peças com tal precisão, e a queda efetiva das diversas partes da sonda só será conhecida se houver relatos de testemunhas ou se os pedaços forem encontrados mais tarde.

Sonda russa que iria a Marte cai no Pacífico
Um mapa liberado pelas autoridades russas pouco antes da queda da sonda espacial indicava que ela poderia cair depois de ter sobrevoado todo o Brasil. [Imagem: Roskosmos]

Suspeitas

Mais uma em uma série de fracassos recentes do programa espacial russo, a falha da Fobos-Grunt levantou suspeitas entre as autoridades do país de que poderia estar havendo sabotagem das missões russas diretamente no espaço.

Vladimir Popovkin, presidente da agência espacial russa, levantou as suspeitas durante uma entrevista em Dezembro.

"Nós não queremos acusar ninguém, mas já existem dispositivos muito poderosos capazes de influenciar as espaçonaves. A possibilidade de que eles tenham sido usados não pode ser descartada," afirmou.

Mas Popovkin disse mais: "As falhas frequentes de nossos lançamentos espaciais, que ocorrem em um momento quando eles estão voando sobre uma parte da Terra que não é visível da Rússia, onde nós não podemos ver as espaçonaves e não recebemos informações da telemetria, não estão claras para nós."

Sem partida

Lançada no último dia 8 de Novembro, a sonda Fobos-Grunt entrou em órbita, mas não disparou seus motores, que a tirariam da órbita da Terra, iniciando a viagem a Marte.

Sem motores para levá-la adiante, a sonda russa teve o mesmo destino que o satélite UARS da NASA, que caiu em Setembro de 2011, e do telescópio alemão ROSAT, que reentrou na atmosfera um mês depois.





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