Nanotecnologia

Brasil quer fabricar nanosensores para óptica, detecção de gases e medicina

Brasil quer fabricar nanosensores para ótica

O Laboratório de Microeletrônica (LME) da Escola Politécnica (Poli) da USP vai abrigar nos próximos dois anos um grupo de 20 pesquisadores brasileiros que desenvolverá tecnologias para fabricação de nanosensores. O projeto para a área de Nanosensores Integrados e Microssistemas (NANOSENSIM) foi aprovado em 30 de agosto no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que financiará a pesquisa.

De acordo com o professor da Poli Francisco Javier Ramirez Fernandez, coordenador do projeto, o objetivo do grupo é criar processos para fabricar nano-dispositivos com aplicações ópticas, em detecção de gases e na medicina. "Os estudos permitirão produzir sensores ópticos e eletroquímicos baseados em materiais nanoestruturados, ou seja, um bilhão de vezes menores que um metro, além da instrumentação necessária para analisar os dados obtidos", afirma. "São tecnologias já empregadas no exterior, mas não dominadas pelo Brasil."

Um dos objetivos do projeto NANOSENSIM, segundo o professor, é a produção de filtros ópticos e foto-detectores para análises ópticas, capazes de atuar no infravermelho, ultravioleta e faixas visíveis do espectro luminoso. "Será possível identificar informações contidas nos feixes ópticos e também controlar sua propagação, por meio de moduladores de luz", relata Francisco. "Estas técnicas podem ser aplicadas, por exemplo, na transmissão de voz e dados por meio de redes de fibra óptica."

Segundo Francisco Javier, o grupo irá desenvolver sensores e materiais produzidos em laboratório para detectar gases combustíveis. "Nos últimos 15 anos, o Grupo de Sensores Integrados e Microssistemas (SIM) do LME adaptou nos últimos 15 anos a infra-estrutura necessária para pesquisar a obtenção do silício poroso, utilizado como elemento ativo para a identificação de gases através de cristais nanoestruturados", explica. "No Laboratório também será possível pesquisar a formação de oxinitretos de silício e materiais poliméricos para aplicações em dispositivos ópticos".

Na área de medicina, o professor aponta que o NANOSENSIM prevê a criação de matrizes de microeletrodos para aplicações em neurologia. "Os equipamentos serão usados para a obtenção de biopotenciais, tais como a medição de eletroencefalograma", conclui ele.





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