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Ciscos eletrônicos vão formar poeira inteligente

Ciscos eletrônicos vão formar poeira inteligente
Protótipo de "cisco eletrônico", com 1 milímetro cúbico.[Imagem: Prabal Dutta]

Autossuficientes

Vários grupos de pesquisadores vêm trabalhando na miniaturização extrema, criando computadores inteiros do tamanho de grãos de poeira.

Essa "poeira inteligente", assim como seus equivalentes mais ativos, os nanitos, prometem monitorar o meio ambiente, a segurança de aviões, a integridade estrutural de prédios e pontes, assim como serem inseridos no corpo humano para fazer exames de forma contínua ou mesmo curar doenças.

Prabal Dutta e sua equipe da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, apresentaram sua versão do que chamaram de M3 - Michigan Micro Motes.

Os motes - ou "ciscos eletrônicos" - têm pequenos processadores que executam programas em um sistema operacional rudimentar, que lhes permite acessar pequenos bancos de memória RAM e memória flash, bem como se comunicar por ondas de rádio.

O plano é que essas partículas de poeira inteligente recebam sensores para serem incorporados em qualquer coisa, de edifícios a objetos pessoais, fornecendo atualizações constantes sobre o mundo que nos rodeia, eventualmente viabilizando a internet das coisas.

Os ciscos eletrônicos vão retirar a energia para funcionar do seu meio ambiente - um conceito conhecido como colheita de energia.

Uma partícula da poeira inteligente que caia perto de uma fonte de luz pode usar uma célula solar, enquanto outra sujeita a variações de temperatura pode se valer da conversão em eletricidade da energia térmica que flui entre o quente e o frio.

Usos da poeira inteligente

Mas que tarefas os pesquisadores pretendem dar à sua poeira inteligente?

Embora corra o risco de ser varrida, eles querem incorporar a poeira eletrônica em casas e edifícios inteligentes, informando sobre a iluminação, temperatura, níveis de monóxido de carbono e se há alguém em casa.

Os sensores inteligentes também poderão monitorar a estrutura de prédios, pontes e viadutos, sobretudo em áreas sujeitas a terremotos.

Ciscos eletrônicos vão formar poeira inteligente
Esquema de um mote equipado com um sensor para monitorar a pressão ocular de um paciente. [Imagem: David Blaauw Lab/Gyouho Kim]

Mas os pesquisadores vão além: com os ciscos eletrônicos embutidos em todos os seus pertences, poderá ser possível executar uma pesquisa em um Google do mundo físico.

Por exemplo, "Onde estão minhas chaves?" lhe daria a resposta certa em termos de coordenadas, desde que suas chaves estejam equipadas com um grão da poeira inteligente.

A poeira inteligente também promete imiscuir-se na área da saúde.

A equipe de Dutta já implantou um cisco eletrônico no tumor de um camundongo para que ele possa apresentar um relatório sobre o andamento da doença, e está usando outro para monitorar a pressão ocular de pacientes.

Energia para comunicação

Mas a comunicação continua sendo um gargalo importante nessa próxima onda de miniaturização.

Segundo Dutta, com a mesma energia que um cisco eletrônico usa para realizar 100 mil operações em sua CPU, ele consegue transmitir apenas um bit de informação para o mundo exterior.





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