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Alienígenas? IA não se sai melhor que teóricos dos deuses astronautas

Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/01/2020

Alienígenas? IA não se sai melhor que teóricos dos antigos astronautas
Imagem da região de Vinalia Faculae, em Ceres, obtida pela sonda Dawn em 6 de julho de 2018, a uma altitude de cerca de 58 quilômetros. Você consegue ver um quadrado e/ou um triângulo?
[Imagem: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA]

Inteligência artificial vê "coisas" em Ceres

Uma rede neural artificial - uma das técnicas mais usadas de inteligência artificial - identificou uma estrutura quadrada inserida dentro de outra estrutura triangular na cratera Occator, no planeta anão Ceres.

Maior objeto no cinturão de asteroides principal, o planeta anão Ceres tornou-se famoso há alguns anos, quando a sonda Dawn revelou seus misteriosos pontos brancos em detalhes.

E esses detalhes foram ficando cada vez mais claros, conforme a sonda da NASA se aproximava, levando a todo tipo de especulação. A posição científica "oficial" hoje é que esses pontos brilhantes se originaram de emissões vulcânicas de gelo e sal.

Mas um desses pontos, chamado Vinalia Faculae, tem formas geométricas pouco observadas em ambientes naturais.

Essa peculiaridade inspirou o professor Gabriel De la Torre, da Universidade de Cádiz, na Espanha, a propor um experimento curioso: comparar como os seres humanos e as máquinas reconhecem padrões em imagens planetárias.

A proposta tem sentido, uma vez que os programas de inteligência artificial estão cada vez mais sendo usados para analisar imagens feitas por satélites e sondas espaciais, e a busca por sinais de civilizações extraterrestres é uma dessas aplicações.

Assinaturas tecnológicas de civilizações alienígenas

O objetivo final era analisar se a inteligência artificial pode realmente ajudar a descobrir "assinaturas tecnológicas" de possíveis civilizações alienígenas, eventualmente ajudando a nos livrar do Efeito Gorila Cósmico, mas também eliminando o viés bem conhecido da tendência humana de ver padrões onde eles não existem, conhecida como apofenia - e seu caso mais particular, a pareidolia.

O pesquisador reuniu 163 voluntários sem conhecimento em astronomia para que cada um dissesse o que via nas imagens da cratera Occator, de Ceres. E ele fez a mesma análise usando um sistema de visão artificial baseado em redes neurais convolucionais, previamente treinado com milhares de imagens de formas geométricas, como quadrados e triângulos.

"Tanto as pessoas quanto a inteligência artificial detectaram uma estrutura quadrada nas imagens, mas a IA também identificou um triângulo. E quando a opção triangular foi mostrada aos seres humanos, a porcentagem de pessoas que afirmavam vê-la também aumentou significativamente," contou o professor Gabriel.

Foi a inteligência artificial que sugeriu que existe uma estrutura quadrada dentro de um triângulo maior.

Alienígenas? IA não se sai melhor que teóricos dos antigos astronautas
Outra perspectiva da região de Vinalia Faculae, girada em 180º e mais distante. A região da primeira foto aparece ampliada à direita, onde são indicadas as geometrias mais frequentemente detectadas.
[Imagem: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA/PSI]

O que queremos ver versus o que conseguimos ver

Os resultados permitiram que o pesquisador tirasse várias conclusões.

"Por um lado, apesar de estar na moda e ter uma infinidade de aplicações, a inteligência artificial pode nos confundir e nos dizer que detectou coisas impossíveis ou falsas, e isso compromete, portanto, sua utilidade em tarefas como a busca de assinaturas tecnológicas extraterrestres em alguns casos," disse Gabriel. "Devemos ter cuidado com sua implementação e uso no SETI.

É claro que as coisas também podem ser vistas pelo ponto de vista contrário.

"Por outro lado", acrescentou o professor Gabriel, "se a IA identificar algo que nossa mente não consegue entender ou aceitar, será que ela poderia, no futuro, ir além do nosso nível de consciência e abrir as portas para realidades para as quais não estamos preparados? E se o quadrado e o triângulo de Vinalia Faculae em Ceres fossem estruturas artificiais?"

Finalmente, o neuropsicólogo aponta que os sistemas de inteligência artificial sofrem dos mesmos problemas que seus criadores: "As implicações dos vieses em seu desenvolvimento devem ser mais estudadas enquanto eles estão sendo supervisionados por seres humanos".

Considerando os pontos e contrapontos, Gabriel conclui reconhecendo que, na realidade, "não sabemos o que [as estruturas em Ceres] são, mas o que a inteligência artificial detectou em Vinalia Faculae é provavelmente apenas um jogo de luz e sombra."

Bibliografia:

Artigo: Does artificial intelligence dream of non-terrestrial techno-signatures?
Autores: Gabriel G. De la Torre
Revista: Acta Astronautica
Vol.: 167, Pages 280-285
DOI: 10.1016/j.actaastro.2019.11.013






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