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Mecânica

Lixo eletrônico vira revestimento e mais que dobra dureza do aço

Redação do Site Inovação Tecnológica - 18/08/2020

Lixo eletrônico vira revestimento e reforça aço em 125%
Detalhes superficiais e seção do revestimento de lixo eletrônico sobre o aço.
[Imagem: Hossain/Sahajwalla/10.1021/acsomega.0c00485]

Revestimento de lixo eletrônico

Um processo de reciclagem típico converte grandes quantidades de peças usadas de um material em mais do mesmo material.

No entanto, essa abordagem não é viável para os eletrônicos antigos - ou "lixo eletrônico" - porque eles contêm pequenas quantidades de muitos materiais diferentes, que não podem ser facilmente separados.

Veena Sahajwalla e Rumana Hossain, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, tiveram então uma ideia inusitada: usar o lixo eletrônico em sua forma misturada mesmo, gerando novo valor com um custo mínimo.

Eles se basearam no trabalho de outras equipes, que já haviam transformado restos de vidro e plástico em uma cerâmica rica em sílica, muito útil em várias aplicações.

A dupla então usou o mesmo processo de alta temperatura para transformar o lixo eletrônico e criar um material híbrido que se mostrou ideal para proteger superfícies metálicas contra desgaste e corrosão.

Eles primeiro trituraram monitores de computador antigos e aqueceram o pó a 1.500 ºC, gerando nanofios de carbeto de silício. Esses nanofios foram misturados com placas de circuito impresso também trituradas, tudo colocado sobre uma placa de aço, e novamente aquecido, só que desta vez a 1.000 ºC. Isso fundiu a mistura de lixo eletrônico sobre o aço.

Lixo eletrônico vira revestimento e reforça aço em 125%
Etapas do processo de "microcirurgia de material".
[Imagem: Hossain/Sahajwalla/10.1021/acsomega.0c00485]

Aço protegido e mais forte

Imagens do metal revestido, feito por microscopia, revelaram que, mesmo atingida fortemente por uma ferramenta de corte, a camada híbrida permaneceu firmemente fixada ao aço, sem rachar ou lascar.

E, melhor de tudo, o revestimento mais do que dobrou a dureza do aço, que apresentou uma melhoria de 125%.

A equipe chama esse processo de microrreciclagem seletiva e direcionada de "microcirurgia de material", afirmando que ele tem potencial para transformar o lixo eletrônico em novos revestimentos de superfície avançados, sem o uso de matérias-primas caras.

Bibliografia:

Artigo: Material Microsurgery: Selective Synthesis of Materials via High-Temperature Chemistry for Microrecycling of Electronic Waste
Autores: Rumana Hossain, Veena Sahajwalla
Revista: Omega
Vol.: 5 (28): 17062
DOI: 10.1021/acsomega.0c00485





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