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Criado primeiro mapa da fronteira externa do Sol

Redação do Site Inovação Tecnológica - 15/12/2025

Criado primeiro mapa da fronteira externa do Sol
Esta representação artística mostra a fronteira na atmosfera solar onde a velocidade do vento solar se torna maior que a velocidade das ondas magnéticas. A área parece alternar entre irregular e "espumosa", revelando que o ponto sem retorno para a matéria que escapa da influência magnética do Sol está longe de ser uma esfera teórica.
[Imagem: CfA/ Melissa Weiss]

Fronteira do Sol

Astrônomos produziram os primeiros mapas contínuos da borda externa da atmosfera solar, revelando uma fronteira fluida e com aparência esvoaçante que marca o ponto onde os ventos solares escapam da influência magnética do Sol. Daí, eles rumam em direção à borda do Sistema Solar, o que inclui atingir a Terra.

Combinando os mapas com medições em alta resolução, o trabalho de mapeamento revelou que essa fronteira se torna maior, mais irregular e com pontas mais acentuadas à medida que o Sol se torna mais ativo, conforme avança em seus ciclos de 11 anos.

Esta descoberta vai ajudar a aprimorar os modelos que mostram como o Sol afeta a Terra, a fazer melhores previsões do clima espacial e entender a complexidade atmosférica de outras estrelas.

"Os dados da sonda Solar Parker, coletados em profundidades abaixo da superfície de Alfvén, podem ajudar a responder grandes questões sobre a coroa solar, como por que ela é tão quente. Mas, para responder a essas perguntas, primeiro precisamos saber exatamente onde está a fronteira," disse Sam Badman, astrofísico do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian (CfA), nos EUA.

De fato, os "mergulhos" que a sonda solar Parker faz em direção ao Sol, batendo recordes sucessivos de aproximação da nossa estrela, foram essenciais para essa nova capacidade de mapeamento da atmosfera solar.

Criado primeiro mapa da fronteira externa do Sol
Painel esquerdo: Histograma 2D normalizado por coluna das observações da velocidade de Alfvén e da velocidade radial do vento solar em L1 com média (azul), desvios padrão (barras azuis) e um ajuste à média (preto) mostrando uma clara relação monotônica. Painel direito: perfis das mesmas duas velocidades.
[Imagem: Samuel T. Badman et al. - 10.3847/2041-8213/ae0e5c]

Fronteira da atmosfera solar

A fronteira da atmosfera solar, onde a velocidade do vento solar para fora se torna maior do que a velocidade das ondas magnéticas, conhecida como superfície de Alfvén, é o ponto sem retorno para o material que escapa do Sol e entra no espaço interplanetário - uma vez que o material ultrapassa esse ponto, ele não consegue mais cair de volta no Sol.

Essa superfície imaginária é a "borda" efetiva da atmosfera solar, o que a torna um laboratório ativo para estudar e compreender como a atividade solar impacta o restante do Sistema Solar, incluindo a vida e a tecnologia na Terra e em seu entorno.

"Ainda existem várias questões fascinantes de física sobre a coroa solar que não compreendemos completamente," disse Michael Stevens, membro da equipe. "Este trabalho demonstra, sem dúvida, que a sonda solar Parker está mergulhando profundamente a cada órbita na região onde o vento solar nasce. Estamos agora caminhando para um período empolgante, no qual ela testemunhará em primeira mão como esses processos se transformam à medida que o Sol entra na próxima fase de seu ciclo de atividade."

"À medida que o Sol passa por ciclos de atividade, o que estamos observando é que a forma e a altura da superfície de Alfvén ao redor do Sol estão aumentando e se tornando mais pontiagudas. Isso é exatamente o que previmos no passado, mas agora podemos confirmar diretamente," disse Badman.

O objetivo agora é documentar todo esse processo durante um ciclo solar completo.

Bibliografia:

Artigo: Multispacecraft Measurements of the Evolving Geometry of the Solar Alfvén Surface over Half a Solar Cycle
Autores: Samuel T. Badman, Michael L. Stevens, Stuart D. Bale, Yeimy J. Rivera, Kristopher G. Klein, Tatiana Niembro, Rohit Chhiber, Ali Rahmati, Phyllis L. Whittlesey, Roberto Livi, Davin E. Larson, Christopher J. Owen, Kristoff W. Paulson, Timothy S. Horbury, Jean Morris, Helen O’Brien, Jean-Baptiste Dakeyo, Jaye L. Verniero, Mihailo Martinovic, Marc Pulupa, Federico Fraschetti
Revista: Astrophysical Journal Letters
Vol.: 995, Number 2
DOI: 10.3847/2041-8213/ae0e5c
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