Redação do Site Inovação Tecnológica - 30/06/2026

Nanorrobô foguete
Os nanorrobôs ainda parecem coisa de ficção científica, minúsculas máquinas projetadas para atuar em medicina, meio ambiente ou mesmo na indústria.
Na verdade, a nanorrobótica já é um campo de pesquisa em rápido crescimento. Só que, ao contrário de seus equivalentes em escala maior, os robôs nas escalas micro e nano não são feitos de componentes eletrônicos, chips de computador e software, mas sim de biomoléculas e nanopartículas.
E, fazendo mais uma vez essa ponte entre ficção e realidade, Voichita Mihali e colegas da Universidade da Basileia, na Suíça, criaram agora um robô em tudo parecido com um foguete espacial: O nanorrobô é dividido em dois módulos, um de propulsão e outro com a carga útil.
Os dois módulos são reutilizáveis e se montam sozinhos, de forma autônoma, permitindo que o robô seja usado na medicina, na indústria ou em tecnologias ambientais.
"Os nanorrobôs anteriores geralmente eram projetados apenas para uma tarefa específica. Nosso sistema modular, por outro lado, pode ser adaptado a diferentes aplicações," disse a professora Cornelia Palivan.

Módulo de propulsão e cápsula de carga útil
O nanorrobô lembra um foguete lunar, com múltiplos módulos. Um módulo de propulsão magnética fornece a propulsão, enquanto um segundo módulo serve como cápsula de carga, transportando a carga útil, que podem ser medicamentos, agentes terapêuticos ou enzimas, até o local alvo.
A equipe já havia desenvolvido vesículas poliméricas em nanoescala para proteger enzimas: As moléculas podem entrar na vesícula através de poros, serem processadas pelas enzimas e, em seguida, seus produtos são liberados no ambiente. A cápsula de carga do nanorrobô contém quatro dessas vesículas poliméricas carregadas com enzimas, que podem ser escolhidas de acordo com a funcionalidade desejada. Dependendo do projeto, as vesículas dentro da cápsula de carga também podem ser abertas seletivamente, por exemplo para liberar compostos bioativos.
Os dois módulos são conectados por uma espécie de velcro baseado em DNA: Fitas de DNA complementares em ambos os módulos garantem que o módulo de propulsão e a cápsula de carga útil se automontem de forma programável, e permaneçam acoplados de forma estável.
Para que o nanorrobô "pouse" no local correto, foi preciso garantir que ele se acoplasse a células ou materiais específicos. Para isso, a cápsula de carga útil também é equipada com biomoléculas que facilitam a acoplagem.

Múltiplos usos
Para demonstração do sistema, a equipe usou uma linhagem de células cancerígenas humanas, conhecida como células HeLa: Equipados com as enzimas necessárias, os nanorrobôs produziram um medicamento anticancerígeno que reduziu a viabilidade das células HeLa para 16% em 72 horas.
Para outras aplicações fora do domínio médico, como catálise, por exemplo, o módulo foguete é particularmente valioso: Como a propulsão é magnética, os nanorrobôs podem ser recuperados e reutilizados após a conclusão de cada tarefa. De fato, a equipe reconhece que há um longo caminho para usar os nanorrobôs em medicina, mas eles podem ser prontamente usados em áreas menos críticas, bastante para isso alterar as moléculas no módulo de carga.
Os pesquisadores também conseguiram separar os dois módulos, reabastecer as cápsulas de carga útil e recombiná-las novamente com os módulos de propulsão.