Logotipo do Site Inovação Tecnológica





Espaço

O Universo é mais homogêneo do que se esperava

Com informações da New Scientist - 07/08/2020

O Universo é mais homogêneo do que se esperava
Um zoom em uma parte do mapa de densidade KiDS, mostrando um trecho do Universo com aproximadamente 1,5 x 1 bilhão de anos-luz de diâmetro. O quadrado cinza mostra o tamanho de uma imagem individual do KiDS, com a lua cheia servindo como escala.
[Imagem: B.Giblin/K.Kuijken/KiDS team]

Universo com menos aglomerados

A distribuição da matéria escura no Universo pode ser dez por cento mais regular do que os cientistas acreditavam, uma diferença suficiente para questionar nossa compreensão da evolução do cosmos.

Astrônomos do projeto KiDS usaram o telescópio VLT, no Chile, para observar mais de 30 milhões de galáxias no Universo a até 10 bilhões de anos-luz da Terra - KiDS é uma sigla em inglês para "Pesquisa de Quilo-Grau", uma vez que o projeto varreu 1.500 graus quadrados do céu.

"O Universo parece ser menos grumoso do que a nossa melhor teoria do Universo no momento sugere," disse Catherine Heymans, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido. "Isso significaria que há mais coisas para se compreender lá fora."

Após o Big Bang, há presumidos 13,7 bilhões de anos, nosso Universo passou por um período de inflação e expansão, deixando para trás um calor remanescente que podemos observar ainda hoje - o fundo cósmico de micro-ondas - que nos mostra a dispersão da matéria por todo o Universo.

No entanto, vários estudos sobre matéria escura - a força ainda inexplicada que mantém as galáxias coesas - nos últimos anos começaram a mostrar uma discrepância entre o fundo cósmico de micro-ondas e a distribuição da matéria escura, que compõe cerca de 85% da massa do Universo.

Os resultados do KiDS encontraram mais evidências dessa discrepância.

Embora outras pesquisas também tenham realizado varreduras semelhantes, este agora merece destaque por seu nível de precisão. "São os resultados mais precisos que foram publicados até agora," garante Alan Heavens, no Imperial College de Londres.

Nova física fundamental?

Se os resultados estiverem corretos, eles podem ter implicações amplas.

Um Universo mais homogêneo poderia significar, por exemplo, que a gravidade em grandes escalas é diferente do que os cientistas acreditam, com a taxa na qual a matéria cai em regiões densas do Universo - como previsto pela teoria da relatividade geral de Einstein - sendo mais lenta do que o previsto.

Ou pode ser que o nosso entendimento da energia escura, pensada para ser o impulsionador da expansão acelerada do Universo, esteja longe de ser completo.

"Esse tipo de discrepância não era esperado em nosso modelo físico do Universo," disse Elisabeth Krause, da Universidade do Arizona, nos EUA. "O júri ainda não entendeu se há uma explicação nos efeitos sistemáticos que temos que modelar, ou se essa é realmente uma nova física fundamental".

Bibliografia:

Artigo: KiDS-1000 Cosmology: Cosmic shear constraints and comparison between two point statistics
Autores: Marika Asgari, Chieh-An Lin, Benjamin Joachimi, Benjamin Giblin, Catherine Heymans, Hendrik Hildebrandt, Arun Kannawadi, Benjamin Stölzner, Tilman Tröster, Jan Luca van den Busch, Angus H. Wright, Maciej Bilicki, Chris Blake, Jelte de Jong, Andrej Dvornik, Thomas Erben, Fedor Getman, Henk Hoekstra, Fabian Köhlinger, Konrad Kuijken, Lance Miller, Mario Radovich, Peter Schneider, HuanYuan Shan
Revista: arXiv
Link: https://arxiv.org/abs/2007.15633





Outras notícias sobre:
  • Universo e Cosmologia
  • Corpos Celestes
  • Telescópios
  • Sondas Espaciais

Mais tópicos