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Identificados possíveis parentes do planeta-anão Ceres

Com informações da Agência Fapesp - 22/04/2016

Identificados possíveis parentes do planeta-anão Ceres
Ceres tem atraído muita atenção dos pesquisadores devido aos seus intrigantes "pontos" brilhantes - na verdade são áreas quilométricas -, ainda sem explicações definitivas.
[Imagem: Dawn/NASA]

Planeta sem família

A despeito dos indícios de que Ceres, o maior corpo celeste do cinturão principal de asteroides do Sistema Solar - situado entre as órbitas de Marte e Júpiter -, deveria possuir uma família de fragmentos originados de colisões ao longo dos últimos bilhões de anos, até então não tinham sido encontradas pistas que confirmassem essa hipótese.

Agora, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Guaratinguetá (SP), em colaboração com colegas do instituto SRI, dos Estados Unidos, encontrou vestígios de uma possível família antiga dispersa do planeta-anão.

Os pesquisadores identificaram um conjunto de 156 asteroides em uma região primitiva do cinturão principal de asteroides - caracterizada pela baixa densidade de objetos -, cuja taxonomia, cores (classificação) e albedo (quantidade de luz refletida) indicam que podem ser fragmentos de Ceres.

"O fato de ainda não se ter encontrado até agora uma família de asteroides de Ceres representa um dos maiores problemas da dinâmica dos asteroides", disse Valério Carruba, principal autor do estudo. "A descoberta de uma possível família deste corpo pode contribuir para entendermos melhor a história do Sistema Solar."

Crateras

De acordo com o pesquisador, enquanto outros asteroides do mesmo tipo espectral (frequências de radiação eletromagnética) de Ceres, como Hygiea e Euphrosyne, já têm famílias reconhecidas, até agora ainda não tinha sido identificado nenhum grupo de asteroides que poderiam ser fragmentos do planeta-anão, que possui 900 quilômetros (km) de diâmetro.

Estima-se, porém, que cerca de 10 crateras com mais de 300 km de diâmetro podem ter sido formadas em Ceres em razão de colisões com outros objetos ao longo dos últimos 4,5 bilhões de anos.

E dados de observação da sonda espacial Dawn, lançada pela Nasa em 2007 para examinar Ceres e Vesta - o segundo maior corpo do cinturão principal de asteroides, com aproximadamente 400 quilômetros de diâmetro -, corroboraram essa estimativa ao mostrar que pelo menos duas crateras com 280 km de diâmetro foram formadas nos últimos 2 bilhões de anos na superfície de Ceres.

Dessa forma, Ceres pode ter expelido um número significativo de fragmentos e formado ao menos duas famílias. Os métodos tradicionais usados para a identificação de famílias de asteroides, entretanto, não detectaram até agora nenhuma família de Ceres. "As técnicas usuais para identificação de famílias de asteroides se concentram em observar objetos vizinhos a Ceres na região central do cinturão principal de asteroides", explicou Carruba.

Suspeitos de consanguinidade

Como as técnicas tradicionais não estavam dando resultados, os pesquisadores propuseram, em vez de tentar identificar possíveis membros da família de Ceres perto do planeta-anão na região central do cinturão de asteroides, olhar para uma região primitiva do cinturão de asteroides.

A hipótese é que fragmentos de Ceres, da ordem de quilômetros, podem ter alcançado essa região do cinturão principal de asteroides que foi esvaziada durante a fase do bombardeio pesado tardio, ocorrida entre 4,3 e 3,8 bilhões de anos atrás, quando se estima que um imenso número de asteroides tenha atingido o Sistema Solar, causando um grande número de crateras na Lua e em outros corpos.

Desde então, a entrada de material fora de outras áreas do cinturão principal de asteroides para essa região primitiva ficou limitada. "Algumas das vantagens de estudar essa região é justamente a baixa densidade de asteroides e a falta de outras grandes famílias do tipo C com excentricidades [medida do achatamento de uma órbita elíptica] e inclinações comparáveis às de Ceres", disse Carruba. "Isso torna a identificação de possíveis membros da família de Ceres nessa região mais fácil", afirmou.

De fato, os resultados das análises indicaram que 156 objetos na região apresentam fotometria e albedo compatíveis com asteroides do tipo C, como Ceres, que reflete apenas 9% da luz que incide sobre ele. Os estudos estatísticos também indicaram que a distribuição em inclinações desses objetos é compatível como sendo originados de Ceres.

"Ainda não há uma prova definitiva de que exista uma família de Ceres, porque esses objetos que identificamos são candidatos do tipo C, e ainda não foram obtidos espectros completos no visível e no infravermelho para confirmar a classificação. Mas há provas circunstanciais bastante fortes", afirmou Carruba, acrescentando que não há nenhuma fonte de objetos do tipo C na região primitiva do cinturão principal que poderia explicar a concentração desse tipo de asteroides naquela área.

Bibliografia:

Artigo: Footprints of a possible Ceres asteroid paleo-family
Autores: V. Carruba, D. Nesvorný, S. Marchi, S. Aljbaae
Revista: Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
DOI: 10.1093/mnras/stw380






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