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Para maioria dos brasileiros, progresso depende de mais igualdade

Com informações da Agência Brasil - 08/04/2019


Igualdade e progresso

A maioria dos brasileiros (88%) acredita que o progresso do país está diretamente ligado à redução da desigualdade econômica entre ricos e pobres, e 94% concordam que os impostos pagos pela população devem ser usados em benefício dos mais pobres.

Os dados são da segunda edição da pesquisa encomendada pela Oxfam Brasil - organização independente e sem fins lucrativos.

Questionados sobre a tributação, 77% dos entrevistados defenderam o aumento dos impostos cobrados das pessoas muito ricas para financiar políticas sociais, ante 71% em 2017, quando foi feita a primeira pesquisa.

O presidente do Conselho da Oxfam Brasil, Oded Grajew, diz que a pesquisa mostra um descompasso entre o que as pessoas consideram importante - a redução da desigualdade como forma de progresso - e a existência de políticas públicas com esse objetivo.

"Nas políticas públicas, não é um assunto que realmente ganha relevância, que seja discutido como eixo central, e que devia ser, porque o Brasil é o nono país mais desigual do mundo. Todos os países que melhoraram de vida, que têm qualidade de vida, todos eles, sem exceção, têm a redução da desigualdade como eixo central das políticas públicas," afirmou Grajew.

Ele exemplificou com a discussão em torno das reformas fiscal e da Previdência: "A única coisa que se fala na reforma da Previdência é reduzir o déficit público, mas não se fala da redução ou do aumento da desigualdade. Quando se fala de reforma fiscal e tributária, fala-se da simplificação e não se fala da forma de se redistribuir a renda."

Grajew lembrou que a Constituição brasileira, na primeira página, diz que o dever do Estado é reduzir desigualdades e que isso não está sendo levado em consideração.

Estado relevante

A pesquisa mostrou também a baixa adesão dos entrevistados ao projeto de um Estado Mínimo para o Brasil proclamado pelo governo recém-eleito, já que 84% consideram obrigação dos governos diminuir a diferença entre os muito ricos e os muito pobres- em 2017, esse percentual era de 79%. Além disso, 75% das pessoas consultadas, apoiam a universalidade do ensino público fundamental e médio, e 73% defendem a universalidade para atendimento em postos de saúde e hospitais.

Para Oded Grajew, a percepção de que o Estado é responsável pela redução da desigualdade é um sinal positivo, já que o Estado tem essa função de regulação. "O Estado nasceu para isso. Você tem um mercado em que impera a lei do mais forte e, se deixar solto, aumenta a desigualdade. O Estado nasceu exatamente para reequilibrar a sociedade, para fazer uma sociedade mais justa, por meio das políticas públicas, da educação pública de qualidade para todos, de saúde, de habitação e da política econômica."

Ainda segundo a pesquisa, 64% dos brasileiros afirmam que as mulheres ganham menos só pelo fato de serem mulheres - em 2017, eram 57%. Já aqueles que concordam que a cor da pele interfere no nível de rendimentos aumentaram de 46% para 52% da população no mesmo período.

Um fenômeno sociológico que intriga os pesquisadores - mas que não foi coberto por esta pesquisa - é que a classe média brasileira é tipicamente resistente a proposta de aumento de impostos para os mais ricos porque, provavelmente devido à desigualdade econômica, a classe média acaba sentindo-se "rica" e teme ser afetada por mais encargos, já excessivos em comparação com outros países.







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