Informática

Que tal alugar o poder computacional subutilizado dos seus aparelhos?

Que tal alugar o poder computacional subutilizado dos seus aparelhos?
O sistema DisCoEdge pretende transformar nossa concepção de propriedade de equipamentos eletrônicos para melhorar os serviços atuais e criar novos - e pagar por isso.[Imagem: IMDEA Networks Institute]

Computação pelas bordas

Existem milhões - talvez bilhões - de equipamentos eletrônicos subutilizados no mundo. O poder de armazenamento, rede, sensoriamento e computacional de roteadores, laptops, computadores domésticos e estações rádio-base cresce a cada nova versão e cada lançamento de novo produto.

Por que não colocar todos esses gigabytes extras de memória e essas unidades de processamento para trabalhar de forma colaborativa e expandir os serviços disponíveis para todos nós?

Essa é a ideia de Vincenzo Mancuso e Antonio Fernández Anta, do Instituto de Redes IMDEA, na Espanha.

Evidentemente, isso exigirá mudar nossa concepção de propriedade sobre os aparelhos, criar novos sistemas de segurança e criar mecanismos para que quem cede os aparelhos seja remunerado por isso. É o que a equipe espanhola planeja fazer, pretendendo ter ao menos um esboço dessa nova estrutura até dezembro do ano que vem.

O projeto DisCoEdge (disco nas bordas, em tradução livre) pretende criar uma infraestrutura para distribuir tarefas computacionais e de armazenamento de dados entre muitos dispositivos simples na "borda" da internet - o seu roteador doméstico, por exemplo, ou outros aparelhos, incluindo o seu celular, quando você não o estiver usando e ele estiver plugado no carregador.

A equipe acredita que essa infraestrutura abrirá novos mercados, nos quais usuários privados e empresariais poderão se unir como se fosse um mercado de redes sociais, onde será possível comprar ou vender o uso parcial de dispositivos pessoais ou industriais para armazenar informações, executar um programa, minerar dados etc.

Isso permitirá aplicações novas para usuários trabalhando em conjunto, fazendo downloads e compartilhando conteúdo de entretenimento, sistemas de armazenamento corporativo (semelhantes ao Dropbox ou Google Drive) que usam smartphones e laptops de funcionários, ou dispositivos domésticos que compartilham espaço em disco para armazenar vídeos e música.

Que tal alugar o poder computacional subutilizado dos seus aparelhos?
O projeto pretende que cada usuário receba pela cessão dos seus aparelhos e pague pelo poder de processamento um preço menor do que o oferecido pelo mercado hoje. [Imagem: Per-Olov Östberg et al. (2017)]

Mercado revolucionário

"O sistema tem como objetivo a eficiência energética e de custos. Não haverá necessidade de acessar uma rede celular ou usar o Wi-Fi para que o sistema funcione, já que os dispositivos das pessoas também podem falar uns com os outros usando comunicação dispositivo a dispositivo que hoje é comum em smartphones, como Bluetooth.

"No entanto, será necessário uma entidade para coordenar e tornar possível o compartilhamento seguro entre um conjunto de máquinas não necessariamente confiáveis. É aqui onde a tecnologia blockchain entra em ação, uma vez que essa tecnologia nos permitirá construir uma infraestrutura distribuída, transparente e cooperativa para rastrear transações entre usuários," explica Mancuso.

O maior desafio é que dispositivos pertencentes a pessoas ou empresas devem compartilhar e acessar dinamicamente e de forma segura vários recursos computacionais disponíveis em suas proximidades (por exemplo, ilhas Wi-Fi, redes domésticas, aparelhos confiáveis formando uma nuvem pessoal ou comunitária e mesmo redes de rádio móveis 5G).

Isso exigirá o desenvolvimento de uma interface polivalente e novos protocolos de segurança, já que será necessário levar em conta a presença de usuários eventuais ou até mesmo atacantes e usuários mal-intencionados que possam prejudicar o desempenho do sistema ou roubar informações pessoais e comerciais.

"Sabemos que, para que a participação nesse mercado revolucionário pareça valer a pena para empresas e proprietários privados, precisamos implementar um sistema de incentivos e recompensas," disse Antonio Fernández. "A ideia-chave por trás do DiSCoEdge não é gerar um mercado de agentes livres, mas sim uma plataforma que atua como corretora de mercado, intermediária e fornece garantias. Em nossa visão, o corretor torna as transações transparentes e rastreáveis graças à adoção de conceitos inovadores de blockchain."

Bibliografia:

Formalizing and Implementing Distributed Ledger Objects
Antonio Fernández Anta, Chryssis Georgiou, Kishori Konwar, Nicolas Nicolaou
ACM SIGACT
Vol.: 49 (2). pp. 58-76
http://eprints.networks.imdea.org/id/eprint/1836

Reliable Capacity Provisioning for Distributed Cloud/Edge/Fog Computing Applications
Per-Olov Östberg, James Byrne, Paolo Casari, Philip Eardley, Antonio Fernández Anta, Johan Forsman, John Kennedy, Thang Le Duc, Manuel Noya Mariño, Loomba Radhika, Miguel Ángel López Peña, José López Veiga, Theo Lynn, Vincenzo Mancuso, Sergej Svorobej, Anders Torneus, Stefan Wesner, Peter Willis, Jörg Domaschka
Proceeding of the 26th European Conference on Networks and Communications (EuCNC 2017)
http://eprints.networks.imdea.org/id/eprint/1625




Outras notícias sobre:

    Mais Temas