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Espaço

Teleférico espacial dispensa foguetes para ir à Lua

Redação do Site Inovação Tecnológica - 16/09/2019

Teleférico espacial dispensa foguetes para ir à Lua
Esquema do teleférico espacial cobrindo a distância Terra-Lua ("D"), onde "r" é o raio da Lua, "R" o da Terra e o tracejado "Rgeo" é a órbita geoestacionária da Terra.
[Imagem: Penoyre/Sandford]

Ir à lua sem foguetes

Se ainda não é factível construir um elevador espacial, que troque os foguetes por um botão de subir e descer para levar e trazer ao espaço cargas e astronautas, por que não construir um elevador da Terra à Lua?

Com esse "teleférico espacial", toda a exploração lunar poderia ser feita provendo um transporte por foguetes apenas para a órbita da Terra. De lá, seria só pegar o teleférico e ir à Lua.

A ideia é de Zephyr Penoyre (Universidade de Cambridge - Reino Unido) e Emily Sandford (Universidade de Colúmbia - EUA), que afirmam que sua linha de transporte espacial é viável com a tecnologia atual - os elevadores espaciais ainda não foram viabilizados, entre outros motivos, pela falta de um material forte o suficiente.

Teleférico espacial

A proposta parece bastante simples: Ancorar um cabo na Lua grande o suficiente para que ele chegue até a órbita da Terra.

O cabo precisaria ser fino nas extremidades, para não desmoronar devido à pressão gravitacional, um problema similar ao do conceito do elevador espacial, embora as forças gravitacionais nessa distância sejam bem menores. E o cabo também precisaria ser mais espesso no centro, para não quebrar.

"Com os materiais atuais, é factível construir um cabo que estenda-se até próximo da altura da órbita geoestacionária, facilitando o transporte e a construção entre a Terra e a Lua," escreveram os dois pesquisadores.

Teleférico espacial dispensa foguetes para ir à Lua
Um elevador espacial está além da tecnologia atual - mas um teleférico até a Lua não.
[Imagem: NASA]

Chegando à órbita geoestacionária, seria então possível pegar um veículo, uma espécie de bonde espacial, alimentado por energia solar, que se moveria por fricção contra o cabo, da mesma forma que os bondinhos turísticos aqui na Terra.

"Objetos no espaço flutuam livremente em um espaço verdadeiramente tridimensional. Mas, quando você amarra esses objetos a uma linha, o movimento entre eles se torna uma jornada unidimensional. O movimento entre os pontos na linha espacial são mais simples e mais seguros do que se movimentar, atracar e navegar através do espaço vazio," escreve a dupla.

Estação espacial

Uma grande vantagem da instalação de um teleférico espacial, além de chegar e voltar da Lua, seria a possibilidade de exploração do ponto de Lagrange Terra-Lua, o ponto onde a gravidade dos dois corpos se anula, permitindo que estruturas de qualquer massa fiquem estáveis no espaço, sem necessidade de combustível, como hoje é necessário para manter a Estação Espacial Internacional em torno da Terra, por exemplo.

"É um ambiente intocado e livre de gravidade, sem grandes obstáculos ao desenvolvimento de construções espaciais em uma escala que seria impossível de outra forma. Apenas uma pequena equipe de cientistas e engenheiros em tal acampamento base permitiria a construção e manutenção de uma nova geração de experimentos baseados no espaço - pode-se imaginar telescópios, aceleradores de partículas, detectores de ondas gravitacionais, viveiros, geração de energia e pontos de lançamento para missões para o resto do sistema solar," prevê a dupla.

Embora levem em conta os nanotubos de carbono como material para o cabo, os dois pesquisadores reconhecem que sua fabricação ainda é incipiente demais para uma aplicação desse porte. Mas nem seria necessário, afirmam, porque materiais disponíveis comercialmente, como Kevlar e Dyneema, são mais do que suficientes para a construção do teleférico espacial.

Bibliografia:

Artigo: The Spaceline: A Practical Space Elevator Alternative Achievable With Current Technology
Autores: Zephyr Penoyre, Emily Sandford
Revista: Acta Astronautica
Link: https://arxiv.org/pdf/1908.09339






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