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Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação

Conferência Nacional de Ciência

"Em 2.010 será possível perceber os resultados desse trabalho", afirmou o ministro Ronaldo Sardenberg, no encerramento da Conferência. Os quatro dias de debates e conferências reuniram 1.200 inscritos, subdivididos na discussão de cinco temas básicos: Avanço do Conhecimento, Qualidade de Vida, Desenvolvimento Econômico, Desafios Estratégicos e Desafio Institucional.

Dez anos para se perceber resultados pode parecer muito para uma Conferência que visava, principalmente, uma aproximação entre o ambiente acadêmico e o setor produtivo. A sensação é de que o tom das discussões foi dado principalmente pelo lado acadêmico, acostumado com projetos de pesquisa de longo prazo, em ambientes tranqüilos e sem a pressão do mercado.

Mas talvez o Ministro não tenha sido feliz em seu fecho. Afinal, a Conferência marcou pelo menos três eventos significativos para a área da Inovação Tecnológica brasileira:

  • o lançamento de quatro novos Fundos Setoriais (Aeronáutica, Agronegócios, Saúde e Biotecnologia).
  • a criação do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos - CGEE
  • e a abertura para consulta pública do ante-projeto da Lei de Inovação.

A ciência brasileira deu um salto qualitativo nos últimos anos por meio de algo bem conhecido dos empresários: mostrando resultados. O Brasil forma hoje 5.500 doutores por ano, número equivalente ao de países como Itália e Canadá. A produção de artigos científicos publicados por cientistas brasileiros cresceu três vezes mais do que a média mundial. Hoje, essas publicações representam 1,2% de toda a produção científica do planeta. O investimento em ciência e tecnologia passou, nos últimos dois anos, de 0,9% para 1,4% do PIB. Para isso contribuíram, sobretudo, os Fundos Setoriais.

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos passa a ser o organismo responsável pelo gestão dos Fundos Setoriais. O Centro será um escritório avançado de prospecção e monitoramento das políticas do Ministério da Ciência e Tecnologia. Com um orçamento que chegará a R$1 bilhão, incluindo os quatro novos Fundos cuja criação foi anunciada durante a Conferência, é uma organização que nasce muito forte.

Mas o grande desafio nacional está justamente em ligar academia e empresas. As pesquisas acadêmicas precisam transformar-se em patentes. O progresso da ciência deve refletir-se em progresso tecnológico, em bens e serviços, em riqueza econômica e social.

Esse grande desafio é tarefa da Lei de Inovação, já em processo de consulta pública.

Na verdade, os méritos da Conferência começaram mesmo antes de seu início. Sua preparação levou mais de um ano, e foi marcada pela realização de seis debates regionais, reunindo lideranças e ouvindo especialistas de diversas partes do país. Esses debates produziram um documento abrangente, chamado Livro Verde, um diagnóstico nacional de ciência e tecnologia em vários setores da economia nacional. As conclusões do Livro Verde são taxativas: o Brasil precisa criar um ambiente mais propício à inovação. Para isso, é necessário aproximar Universidades e Empresas, aumentando a taxa de inovação da economia, resultando numa pauta de exportações de maior valor agregado.

Os debates realizados na Conferência Nacional serão agora incluídos no Livro Verde, formando o Livro Branco, a ser distribuído pelo Ministério da Ciência e Tecnologia até o fim de 2.001. O objetivo do Livro Branco é orientar o desenvolvimento tecnológico do país nos próximos dez anos. "Poucos países no mundo possuem um documento tão abrangente e importante.", disse Ronaldo Sardenberg.

O ministro Sardenberg anunciou, ainda, o novo orçamento do Fundo Verde Amarelo, que, em 2.002, passará de R$ 280 milhões para R$ 520 milhões. O Fundo Verde Amarelo é responsável pelas ações de integração entre universidades e empresas.

Site Oficial da Conferência







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