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Inovação Tecnológica acontece na empresa e não na Universidade.

O Seminário Campinas Inova 2.002 aconteceu ontem, dia 18, na UNICAMP (Campinas - SP). Mediado pelo Secretário Executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia, Carlos Américo Pacheco, o evento reuniu cientistas e empresários para uma conversa franca, difícil de se conseguir nesse relacionamento que, apesar de melhorar dia a dia, ainda guarda distâncias oriundas das diferenças culturais dos dois grupos.

Aos pesquisadores foi perguntado o que a Universidade oferece e o que eles esperam das empresas. Aos empresários, foi perguntado o que eles esperam da Universidade. O mais surpreendente é que houve unanimidade quando o assunto foi a origem da inovação. Todos concordaram que a inovação tecnológica acontece sempre dentro das empresas e não dentro das Universidades.

Os cientistas ocuparam a mesa no período da manhã e relataram as diversas experiências da Universidade no tocante ao relacionamento com as empresas. Foram descritas pesquisas com pequenos empresários, modelos de gestão da tecnologia e mostradas experiências com incubadoras de empresas de base tecnológica.

O professor Renato Sabbatini, pesquisador do Núcleo de Informática Biomédica cobrou maior agressividade das empresas no uso da Internet. Segundo ele, a Internet é hoje uma infra-estrutura como o sistema de telefonia ou mesmo a rede elétrica. As empresas não podem prescindir desse instrumento e nem usá-lo apenas como um folder eletrônico. Ele descreveu vários mecanismos à disposição das empresas para busca de informações sobre tecnologia.

O período da tarde reuniu empresários de diversos pontos do país. O presidente da ANPEI, Celso Antônio Barbosa, apresentou os números da pesquisa mais recente sobre investimentos em P&D. Em 2.000, as empresas associadas àquela entidade investiram 0,9% do faturamento em pesquisas. É um número ainda baixo em termos internacionais, mas é mais elevado do que a média nacional, de 0,7% (dados de 1.999). Falando sobre onde se dá a inovação, ele destacou que, na Coréia do Sul, há 700 centros de pesquisas em grandes corporações e mais de 5.000 em empresas pequenas e médias. Ele resumiu o estágio brasileiro de inovação com a frase: "Exportamos de navio e importamos de avião.", salientando a diferença de níveis tecnológicos entre nossas importações e nossas exportações.

O Gerente Corporativo de Projetos da EMBRACO, sr. Mário Sérgio Ussyk, falou da longa experiência da empresa na parceria com Universidades, que começou com a Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo ele, há um caminho a ser trilhado, que começa com a observação do que se faz nos laboratórios universitários. Esse primeiro contato leva à contratação de serviços, como aluguel de laboratórios e equipamentos, desenvolvimento de software etc. O próximo passo é um projeto de pesquisa, de curta duração, que geralmente consiste no financiamento de uma pesquisa que resulta em teses de mestrado ou doutorado. A etapa mais avançada é um Programa de Pesquisa, um convênio "guarda-chuva", sob o qual diversos projetos são tocados. Segundo ele, a inovação tecnológica foi crucial para que sua empresa passasse de uma produção de cerca de 2 milhões para mais de 22 milhões de compressores fabricados por ano e tivesse um terço do mercado norte-americano.

O diretor de competitividade e Tecnologia da FIESP, sr. Flávio Grynszpan, destacou que o mercado é quem dá a dinâmica da inovação. O mercado exige da empresa um produto melhor ou mais avançado. Neste ponto, é a empresa quem deve ser inovadora e, sempre que necessário, buscar o auxílio das Universidades e Institutos de Pesquisa. Segundo Grynszpan, a parceria das pequenas empresas brasileiras com as multinacionais é crucial para seu desenvolvimento tecnológico. Essa atuação, tanto como fornecedor quanto como parceiro, pode elevar a cultura da inovação nas empresas brasileiras, principalmente nas pequenas e médias.

A redatora chefe da Gazeta Mercantil, jornalista Maria Clara R.M.do Prado, salientou que a falta de veiculação de notícias sobre inovações tecnológicas na mídia brasileira deve-se principalmente a um acentuado foco na macroeconomia, em vista dos históricos programas de estabilização pelos quais os país passou nas últimas décadas. Segundo ela, há também falta de jornalistas especializados, que entendam a linguagem dos cientistas.

A maior reivindicação dos empresários foi que, como a inovação tecnológica se dá nas empresas, e ninguém se contrapôs a essa idéia, o governo deve também efetuar investimentos diretamente nas empresas.

Para prosseguimento do debate, a UNICAMP disponibilizará o material do encontro e um foro de discussão virtual na página de evento.

www.campinasinova.ct.unicamp.br







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