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Energia

Folha artificial medicinal alimenta implante biomédico usando luz

Redação do Site Inovação Tecnológica - 13/07/2026

Folha artificial medicinal alimenta implante biomédico usando luz
Os conceitos de folha artificial e fotossíntese artificial chegaram de vez ao campo dos cuidados com a saúde.
[Imagem: Pengju Li et al. - 10.1038/s41566-026-01949-5]

Folha artificial medicinal

As plantas convertem a luz em energia de forma eficiente através da fotossíntese, uma capacidade que os cientistas e engenheiros estão se esforçando por imitar usando diversas abordagens, em tentativas para desenvolver a chamada fotossíntese artificial.

A principal ferramenta nesse campo são minúsculas estruturas metálicas projetadas para absorver e concentrar a energia da luz e gerar os portadores de carga adequados, conhecidos como plásmons de superfície.

O que acontece é que a luz, ao atingir a superfície dos metais, produz uma ondulação dos elétrons na superfície do material, ondas essas que podem ser controladas com precisão. Essas ondulações - os plásmons - deram origem à plasmônica, por isso também conhecida como "luz através de fios".

Agora, Pengju Li e colegas da Universidade de Chicago, nos EUA, usaram esse princípio para criar uma "folha plasmônica", um dispositivo bioeletrônico que capta a energia da luz e a torna diretamente utilizável para estimular "coisas" no corpo humano, sendo que essas coisas podem ser desde nervos vivos, mas danificados por alguma enfermidade, até marcapassos e outros dispositivos biomédicos.

"Esses materiais são muito singulares e diferentes de outros dispositivos fotossensíveis, como os fotovoltaicos," explicou Li. "Por meio do nosso projeto, aumentamos a capacidade dessas nanoestruturas de armazenar energia, de modo que agora elas podem ser potencialmente usadas como novas formas de terapia e em novas interfaces humano-computador."

Folha artificial medicinal alimenta implante biomédico usando luz
A estrutura plasmônica da folha artificial consegue amplificar a energia, gerando-a em níveis úteis para acionar nervos ou o coração.
[Imagem: Pengju Li et al. - 10.1038/s41566-026-01949-5]

Um novo tipo de bioeletrônica

Os dispositivos de captação de luz, como as células solares, usam materiais semicondutores para converter a luz solar em eletricidade. No entanto, esses materiais possuem limites de eficiência devido às leis da física.

Componentes plasmônicos em nanoescala, ou nanoplasmônicos, podem ser mais eficientes, como é o caso das já bem conhecidas folhas artificiais. Esses materiais são feitos de metais nobres, como o ouro ou parentes do grupo da platina. O metal é combinado com dióxido de titânio em minúsculas nanoestruturas - com cerca de 15 nanômetros - que absorvem a luz.

A luz gera os plásmons superficiais, que a seguir se decompõem em elétrons e lacunas, chamados portadores quentes devido à sua elevada energia, permitindo controlar processos elétricos e químicos em nanoescala. Os componentes nanoplasmônicos funcionam essencialmente como minúsculos conversores de energia, fornecendo energia elétrica sem a necessidade de fontes de alimentação com fios.

O que a equipe conseguiu agora foi encontrar um meio de usar o próprio componente para amplificar essa energia, abrindo caminho para seu uso prático, e não apenas em dispositivos médicos, por meio da bioeletrônica, mas até mesmo em plataformas de computação alternativa emergentes.

No caso das aplicações biomédicas, a equipe já fez uma demonstração usando seu componente para controlar os batimentos cardíacos de um animal de laboratório, usando apenas luz para controlar o implante cardíaco experimental. Outro implante também foi testado no nervo ciático: Quando a luz incidia sobre o material, ele estimulava o nervo, demonstrando uma potencial terapia para as dores neuropáticas.

Folha artificial medicinal alimenta implante biomédico usando luz
O dispositivo foi testado em cobaias e também como uma plataforma de segurança da informação.
[Imagem: Pengju Li et al. - 10.1038/s41566-026-01949-5]

Tela sem píxeis

O material nanoplasmônico também poderá ser usado como uma plataforma de sensores semelhante a um computador, na qual os usuários poderão interagir com uma espécie de tela usando luz fora da faixa visível, uma forma potencialmente segura de transmitir informações.

Para demonstrar essa possibilidade de optossensoriamento, a equipe construiu um dispositivo semelhante a uma tela sensível ao toque, só que sem píxeis, que funciona respondendo à luz em vez do toque. Os pesquisadores interagiram com a tela usando uma caneta laser e, em seguida, usaram um programa de inteligência artificial para reconstruir os padrões projetados.

"Um dispositivo como este poderia mudar a forma como as pessoas interagem com os computadores," disse Li. "Em vez de usar o toque, você pode usar a luz para inserir determinadas informações. E a luz pode ser invisível, o que melhoraria a segurança. A IA pode então ser usada para decodificar o que você escreveu. Isso abre novas possibilidades para o nosso material."

De volta à área de saúde, a equipe agora se dedicará ao desenvolvimento de um dispositivo totalmente implantável que possa ser usado para bioestimulação por um ano ou mais, abrindo caminho para seu uso clínico.

Bibliografia:

Artigo: Self-organized nanoplasmonic artificial leaf for hot-carrier bioelectronic interfaces
Autores: Pengju Li, Mengzhan Liufu, Cooper R. Johnston, Young-Woo Pyo, Yuze Zheng, Guangqing Yang, Ananth Kamath, Ruipeng Li, Yuzi Liu, Carlos A. Z. Bassetto Jr, Jinxing Jiang, Ashley Arcidiacono, Chuanwang Yang, Tiantian Guo, Ji Wan, Jing Zhang, Zirui Zhou, Joseph Strzalka, Fengyuan Shi, Jiping Yue, Lance Emry, Jwwad Javed, Isabel Vargas-Hurlston, Richard D. Schaller, Francisco Bezanilla, Po-Chun Hsu, Dmitri Talapin, Jin Wang, Hong-Gyu Park, Sarah B. King, Bozhi Tian
Revista: Nature Photonics
DOI: 10.1038/s41566-026-01949-5
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