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Governo lança medidas para tentar reverter desindustrialização

Insustentável

O governo federal lançou um pacote de medidas para tentar dar sustentabilidade ao crescimento do país e fortalecer a economia diante do crescente processo de desindustrialização.

A ação inclui aumento no volume de crédito, redução do custo de financiamento do comércio exterior, incentivos à defesa comercial e medidas tributárias - como desoneração da folha de pagamento, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e postergação do pagamento do PIS-Cofins.

Haverá também novos estímulos à produção brasileira, priorizando, nas compras governamentais, as empresas que utilizem componentes nacionais.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse o Brasil "é um dos poucos países que terá média de crescimento acima de 4% do PIB" e que essa condição é possível devido ao "dinamismo do mercado interno, à geração de emprego e renda, à solidez fiscal, ao acúmulo de reservas, ao controle da inflação e aos programas de investimentos em infraestrutura".

Infelizmente, os dados do próprio governo indicam outra coisa, mais especificamente que o PIB brasileiro cresce com consumo importado e que nosso crescimento econômico é baseado em recursos naturais e não em bens industriais.

Mais reuniões

Em uma mostra patente de que o governo não sabe ainda exatamente o que fazer, foram criados 19 conselhos de competitividade, com a participação de aproximadamente 600 representantes do governo, dos empresários e dos trabalhadores.

Segundo o governo, o objetivo é "envolver a sociedade na discussão de temas setoriais e na construção de agendas estratégicas".

Os 19 conselhos vão tentar ter ideias sobre o que fazer com relação aos seguintes setores: Petróleo, Gás e Naval; Automotivo; Complexo de Saúde; Defesa, Aeronáutica e Espacial; Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs)/Complexo Eletroeletrônico; Bens de Capital; Mineração, Metalurgia, Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos; Química; Celulose e Papel; Energias Renováveis; Construção Civil, Móveis, Calçados, Têxtil e Confecções e Joias; Agroindústria; Comércio; Serviços e Serviços Logísticos.

Desindustrialização

A estratégia do governo é tentar reverter a desaceleração da atividade industrial, que, embora tenha aumentado 1,3% em fevereiro na comparação com janeiro desse ano, ainda acumula queda de 3,4% nos dois primeiros meses desse ano em relação ao primeiro bimestre de 2011, segundo dados divulgados também nesta terça-feira pelo IBGE.

No acumulado dos últimos doze meses - de março de 2011 a fevereiro de 2012, a produção já acumula recuo de 1%.

Na comparação com fevereiro de 2011, no entanto, a indústria registrou queda de 3,9%, a sexta taxa negativa consecutiva neste tipo de comparação, com o mesmo período do ano anterior.

Brasil Melhor

Desde que lançou o plano Brasil Maior, em agosto do ano passado, o governo brasileiro vem tomando várias medidas para tentar estimular a economia, focadas, principalmente, em impedir o desaquecimento da indústria.

Para isso, tem atacado em duas frentes: de um lado, tenta conter a valorização do real, taxando a entrada de recursos financeiros de curto prazo e, mais recentemente, operações de derivativos cambiais, a partir do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Por outro lado, o governo tenta frear as importações, através da revisão do acordo automotivo com o México ou da elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados.

O governo também tem dado recados claros aos empresários, afirmando que a indústria brasileira precisa ser mais atuante e que são os empresários que devem ser protagonistas da inovação.

Mas os empresários e suas entidades continuam clamando por "políticas públicas", o que geralmente se traduz por recursos do BNDES a juros subsidiados, se possível sem nenhuma aferição do que é feito com o dinheiro.





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