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Uma olhada no futuro das telas e monitores

Uma olhada no futuro das telas e monitores
Protótipo de tela ultrafina e enrolável da Sony, feita de LEDs orgânicos (OLEDs), que pode ser dobrada em torno de um tubo de 4 milímetros e continuar mostrando o vídeo.[Imagem: Sony]

Leitores eletrônicos

Os leitores eletrônicos e a tecnologia 3D dominaram a atenção dos consumidores ao longo dos últimos 12 meses.

Mas o que mais já pode ser visto no horizonte quando o assunto são as tecnologias de TVs, monitores e telas em geral?

Embora a Amazon e a Apple já tenham dominado o mercado com seus leitores eletrônicos, o iPad e Kindle não são os únicos participantes desse jogo. "Os e-books têm grande potencial de crescimento, e ainda há oportunidades para que concorrentes sejam bem-sucedidos," afirma Ross Young, da IMS Research. "Há espaço para melhorias, e outros podem fazê-los melhor."

Telas flexíveis

Vários equipamentos flexíveis e duráveis estão estreando este ano, o que lhes dá uma vantagem sobre a concorrência.

A Sony lançou uma tela de LEDs orgânicos (OLEDs) com 80 micrômetros de espessura (mais ou menos a espessura de um fio de cabelo humano), capaz de exibir continuamente imagens em movimento, mesmo estando enrolada em um tubo de 4 milímetros.

A empresa conseguiu esse avanço trocando o controlador de circuito integrado rígido geralmente utilizado no substrato de uma tela, por um circuito de comando com OTFTs (Organic Thin-Film Transistors: transistores orgânicos de película fina).

"Ela pode ser usada como papel inteligente, em etiquetas, tocadores de música ou em telefones celulares 'de vestir'," disse Noda Makato, da Sony.

Telas transparentes

Uma olhada no futuro das telas e monitores
Tela interativa transparente, de 46 polegadas, projetada para ser usada em vitrines de lojas. [Imagem: Samsung]

Para as telas em geral, a tendência é que elas se tornem ainda mais leves, flexíveis e se tornem translúcidas ou mesmo transparentes.

A Samsung apresentou, em uma conferência realizada em Maio, uma tela translúcida e sensível ao toque, que poderá ser usada em vitrines de lojas ou em menus de restaurante.

Telas interativas

A interatividade das telas também está em alta. Tecnologias de rastreamento dos olhos, normalmente usadas na tecnologia autoesteresocópica, estão sendo empregadas para monitorar o usuário e entender onde ele está tocando na tela - incluindo o entendimento 3D dos gestos.

Sang-Soo Hwang, pesquisador da LG, está trabalhando em um sensor celular de toque que reduz as camadas necessárias para fabricar telas interativas e que permitem um multitoque suave, além de resultar em equipamentos mais leves.

A Wedge Optic, desenvolvida pela Microsoft e escondida atrás de uma tela LCD ou OLED, permite que a tecnologia de rastreamento dos olhos veja bem acima da superfície de toque, mais de 6 metros em alguns testes.

"Você pode ter as duas mãos fazendo coisas diferentes," diz Steve Bathiche, diretor de pesquisa da divisão de entretenimento da empresa. "Eu acredito que as aplicações reais desta tecnologia oferecerão uma interface sem toque para ambientes sem toque, como o fornecimento de informações em ambientes esterilizados."

Mesmo que a tecnologia multitoque tradicional está assistindo a uma grande variedade de aplicações, e agora está indo além dos dois ou três pontos de toque. A Stantum e outras empresas desenvolveram uma estrutura de padrões reticulares em seus dispositivos que podem lidar com múltiplos pontos de entrada e, em última análise, um número ilimitado de toques simultâneos.

AMOLEDs

A tecnologia de tela sensível ao toque encontrada em inúmeros aparelhos foi originalmente introduzida em aparelhos pessoais pequenos, como telefones celulares, e os celulares inteligentes continuam abrindo o caminho para a adoção de novas tecnologias de monitores.

Sang Soo Kim, da Samsung, propõe que os AMOLEDs (Active Matrix Organic Light Emitting Diode: LEDs orgânicos de matriz ativa) serão a chave para a criação de telas finas e flexíveis, mas também duráveis. "Os AMOLEDs deverão ser mais baratos de fabricar, e sua matriz ativa consome menos energia, e eles têm uma maior taxa de resposta," diz ele.

O papel eletrônico de enrolar da Sony, assim como outros dispositivos em fase de desenvolvimento, estão usando AMOLEDs.

No entanto, eles ainda não estão prontos. No estágio atual, os AMOLEDs são sensíveis a praticamente qualquer coisa, o que significa que ainda não é possível usá-los para fabricar produtos robustos e confiáveis.

LEDs orgânicos

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Demonstração de uma televisão feita com OLEDs (LEDs orgânicos). [Imagem: DuPont]

Várias empresas estão trabalhando com diferentes variações de LEDs orgânicos, de CCD-OLEDs a PhOLEDs (LEDs orgânicos fosforescentes) e PMOLEDs (Passive Matrix Organic Light Emitting Diode).

O Instituto Fraunhofer, da Alemanha, conseguiu fabricar OLEDs brancos de três camadas, assim como OLEDs laranja/vermelho, com eficiência de 84 cd/A e 31 cd/A, respectivamente. A Universal Display Corp. criou OLEDs com um tom de um azul profundo, assim como OLEDs sintonizáveis.

Diversas empresas também estão trabalhando em formas de reduzir os custos e melhorar a eficiência da produção de OLEDs.

A DuPont recebeu recentemente um financiamento de US$2,5 milhões do Departamento de Energia dos Estados Unidos para trabalhar na integração de materiais OLED em um processo de fabricação contínua (roll-to-roll). A empresa já alcançou um desempenho nas telas impressas de OLED suficiente para permitir a produção de televisores de LEDs orgânicos em alta velocidade.

A fabricação em processo contínuo também já permite a produção de LEDs para iluminação em geral, que prometem viabilizar, em futuro próximo, a troca das lâmpadas por um teto luminoso.

Vantagens das telas de LED

Várias empresas estão usando os LEDs para resolver os problemas de interferências e tremulações nas telas 3D.

Samsung, Sony, LG e outras empresas estão usando LEDs em algumas versões das suas TVs 3D. "Não há nenhum borrão de movimento, eles são muito eficazes," diz Taewkon Jung, da Samsung.

Outro benefício dos LEDs é a eficiência energética: A TV full-HD de 55 polegadas da Samsung gasta uma média de 100 watts, em comparação com os cerca de 300 watts das telas de plasma.

Durabilidade e manchas dos dedos

Nesse meio tempo, os fabricantes estão avançando rumo aos transistores orgânicos de filmes finos (OFTF: Organic Thin Film Transistors), que tornam os LEDs mais eficientes.

"E estamos trabalhando para criar técnicas de impressão mais rápidas, mais baratas e com menor tempo de resposta. As telas precisarão ser mais rápidas para lidar com a interferência e com a resposta interativa," diz Bathiche.

Um dos maiores obstáculos na fabricação de telas neste momento é a dificuldade de fabricação de chips de LED.

Embora pelo menos 850 processadores de LEDs tenham sido colocados no mercado só 2010, muitos deles não estarão mais plenamente operacionais até 2014 ou 2015, segundo Young. Conforme das telas se tornam cada vez maiores, a criação de vidros mais fortes e componentes mais duráveis também é uma tarefa que muitas empresas estão enfrentando.

O maior desafio, contudo, que ninguém foi capaz de responder até agora, é como eliminar as manchas de dedo das telas. "Infelizmente nós ainda não nos livramos das impressões digitais, mas estamos trabalhando nisso," diz Craig Wurzel, da Corning.





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