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Radiotelescópio de Arecibo será desativado

Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/11/2020

Radiotelescópio de Arecibo será desativado
Os dois acidentes deixaram o famoso radiotelescópio em risco de colapso total.
[Imagem: University of Central Florida]

Adeus Arecibo

Um dos maiores ícones da astronomia moderna, o radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, será definitivamente desativado.

Depois de 57 anos de operações, a instalação foi vítima de dois acidentes nos últimos meses, com o rompimento de dois grandes cabos de aço que sustentam a antena de 305 metros de diâmetro.

Como os demais cabos estão desgastados pelo tempo - a provável causa dos dois acidentes - há um risco sério de que haja um efeito cascata que cause o colapso de toda a estrutura.

A Universidade da Flórida Central e a Fundação Nacional de Ciências dos EUA, mantenedores do radiotelescópio, fizeram uma avaliação criteriosa da situação, e a conclusão da equipe de engenheiros é que não há sequer condições de segurança para que trabalhadores possam ficar no local para executar obras de contingência ou de reparo.

"A decisão vem depois que a Fundação Nacional de Ciências analisou várias avaliações feitas por empresas de engenharia independentes, que constataram que a estrutura do telescópio está sob risco de uma falha catastrófica e que seus cabos podem não ser mais capazes de manter as cargas que foram projetados para suportar. Além disso, várias avaliações atestam que quaisquer tentativas de reparos podem colocar os trabalhadores em perigo, com potencial risco de vida. Mesmo no caso de reparos futuros, os engenheiros constataram que a estrutura provavelmente apresentaria problemas de estabilidade a longo prazo," disse a entidade em nota.

Acidentes em Arecibo

O radiotelescópio de Arecibo ainda estava em manutenção em razão do furacão Maria, que o atingiu em 2017, quando, em agosto passado, um dos seus cabos de suporte se partiu, destruindo uma parte da antena.

As equipes de engenharia já haviam planejado o conserto e estavam prontas para implementar a estabilização estrutural de emergência do sistema de cabos auxiliares. Contudo, enquanto providenciavam a compra de dois cabos auxiliares de substituição, bem como de dois cabos temporários, outro cabo principal quebrou na mesma torre no dia 6 de novembro.

Com base nas tensões no segundo cabo quebrado - que estava dentro de sua capacidade de carga - os engenheiros concluíram que os cabos restantes são provavelmente mais fracos do que o projetado originalmente.

"Até a chegada dessas avaliações, nossa pergunta não era se o observatório deveria ser consertado, mas como. Mas, no final, uma grande quantidade de dados mostrou que simplesmente não poderíamos fazer isso com segurança. E essa é uma linha que não podemos cruzar," disse Ralph Gaume, diretor da divisão de ciências astronômicas da Fundação.

Descomissionamento de Arecibo

O plano de desativação do radiotelescópio inclui a tentativa de preservar outras partes do observatório, que poderiam ser danificadas ou destruídas no caso de um colapso catastrófico não planejado. A ideia é reter o máximo possível da infraestrutura remanescente do Observatório de Arecibo, que continuará disponível para pesquisadores e missões educacionais.

Deverão ser mantidos o Observatório LIDAR de Arecibo - um instrumento de pesquisa geoespacial - bem como o centro de visitantes e a instalação externa Culebra, que analisa a cobertura de nuvens e dados de chuva.

"Ao longo de sua vida, o Observatório de Arecibo ajudou a transformar nossa compreensão da ionosfera, mostrando-nos como a densidade, a composição e outros fatores interagem para dar forma a esta região crítica onde a atmosfera da Terra encontra o espaço," disse o pesquisador Michael Wiltberger. "Embora eu esteja desapontado com a perda das capacidades investigativas, eu acredito que este processo é uma etapa necessária para preservar a capacidade da comunidade de pesquisa de usar outros ativos do Observatório de Arecibo e, espero, garantir que um trabalho importante possa continuar nas instalações."






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